segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Menos levado a peito

Já falei da série DMZ aqui e, por isso, posso iniciar dizendo que a continuação da série não é tão forte como foi durante os volumes iniciais.
A linha narrativa central que atravessa estes volumes, em particular DMZ: Blood in the game, DMZ: War Powers e DMZ: Hearts and Minds, é, talvez, a continuação lógica do que ocorreu até aqui.
Trata-se do período de estabilização, das primeiras eleições livres e da defesa da ideia do poder através de todos os meios possíveis - armas de destruição em massa incluídas.
A série parece, neste momento, estar a seguir um guião. Como se fosse sua obrigação abordar todos os detalhes que se reconhecem dos conflitos - com preponderância para o mais recente - em que os EUA se envolveram.
Isso é mau para a série porque a sua relevância política e social já não se vinca no seu exagero de até onde leva a realidade de Manhattan como Estado.
Os autores estão a tomar o ponto de vista dos que estiveram do outro lado dos referidos conflitos de forma débil, pouco sentida e mais como de um comentário intelectual. A força de colocarem a guerra junto ao peito dos americanos dissipou-se.
Como tal, a sua relevância artística também se apaga à medida que os acontecimentos globais suplantam o indivíduo.
A personagem central, o jornalista que assume aqui um papel subjectivo, que toma uma opção como cidadão e não como repórter, tem menos material para evoluir como foco da série.
Era o seu comprometimento que deveria interessar, depois de reflectir sobre o entendimento que um povo faz das notícias e de como estas são manipuladas, pensar o papel do jornalista que está envolvido no ponto central dos eventos que julgamos à distância.
Acabam por ser dois blocos narrativos menores - e, curiosamente, atrasados no friso cronológico - que são mais ricos.
The Island traça um inusitado retrato do equilíbrio real que se cria entre as duas frentes de homens na guerra. As amizades que são indiferentes a ideologias e que permitem que homens sejam companheiros em paz. Mas também são as amizades circunstanciais que tombam ao primeiro sinal de problemas. Amizades de guerra, amizades sob tensão.
No Future é centrado na psicologia de um único homem. Um polícia que vai de um lado ao outro do que está correcto. Um homem que cede até ao limite, que se torna um terrorista mas defende uma réstea de humanidade como pode.
Um problema evidente este de estar mais interessado no que é secundário.
A própria génese de uma série que necessita de ser longa pode justificar esta perda de fulgor, mas senti mais obrigação do que prazer como leitor enquanto a série mostrou constrangida.


















DMZ: The Hidden War (Brian Wood e Riccardo Burchielli)
Vertigo Comics
Sem indicação da edição - Julho de 2008
144 páginas



















DMZ: Blood in the game (Brian Wood e Riccardo Burchielli)
Vertigo Comics
Sem indicação da edição - Fevereiro de 2009
144 páginas



















DMZ: War Powers (Brian Wood e Riccardo Burchielli)
Vertigo Comics
Sem indicação da edição - Setembro de 2009
168 páginas


















DMZ: Hearts and Minds (Brian Wood e Riccardo Burchielli)
Vertigo Comics
Sem indicação da edição - Junho de 2010
192 páginas

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