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terça-feira, 6 de julho de 2010

Ensino satisfatório

Eis o retrato de uma década essencial à política portuguesa, de 1908 a 1918, feita com a maestria de quem tem muita informação a partilhar, de quem pesquisou bem as várias posições que surgiam no país, mas que nem por isso negligenciou o fulcro de uma obra de ficção, as suas personagens e a empatia com elas.
Perante uma família cujas dramáticas e dramatizadas relações internas recriam a turbulência de um país, a admirável economia de José Jorge Letria evita que o livro se reduza a uma barata noveleta, antes enriquece as breves páginas do livro onde cabe uma admirável quantidade de informação.
Informação que constitui cenário e contexto, não motivo do livro. O motivo é a história bem contada e bem idealizada, uma história que se segue com expectativa e que origina em nós emoções sinceras.
Lendo este livro acabamos por ter uma lição sobre a Primeira República sem darmos por isso. A leitura quase compulsiva é agradável o suficiente para darmos apenas por certo o tempo que passámos entretidos.

Não deixa de ser necessário um reparo, mais em jeito de aviso. Será conveniente ao leitor parar de ler ao chegar ao epílogo.
A pedagogia militante deste não condiz com o que foi o romance até ali e ainda que não o prejudique de forma irremediável, não deixa de constituir uma imperfeição evitável no que, de resto, é um interessante e sólido livro.


















O Vermelho e o Verde (José Jorge Letria)
Planeta Manuscrito
1ª edição - Abril de 2010
152 páginas

domingo, 5 de abril de 2009

Penas da tartaruga


José Jorge Letria apressou-se a deixar a sua marca entre as comemorações das efemérides Darwinianas deste ano de 2009.
Henriqueta, a tartaruga de Darwin é um livro que documenta de forma simples o que foi a vida de Darwin. E que complementa isso mesmo com uma reflexão sobre como o valor da vida e da evolução não se alteraram apesar do trabalho de Darwin.
É um livro eficaz, informativo e que, por ser uma história imaginada, tem uma vontade de dizer aos leitores que todas as possibilidades da imaginação são possíveis e recomendáveis.
Este último sentido de leitura do texto é exposto num último capítulo que destoa perante o resto.
Sobretudo porque essa última indicação faria mais sentido num livro de direito próprio (como o foi em Letras e Letrias, também de José Jorge Letria) e não num livro que pretende ser de uma natureza mais sóbria e cujo conteúdo é, à parte da invenção do próprio narrador, concreto.

Ao texto de José Jorge Letria junta-se o trabalho de Afonso Cruz que, mesmo com a sua qualidade quase táctil e do interessante efeito de envelhecimento das imagens, não tem mais do que um sentido ilustrativo do texto.
O jogo entre palavras e imagens sai empobrecido, o que é uma verdadeira pena, sobretudo se passarmos os olhos por outras colaborações que estes dois autores já produziram anteriormente.

No conjunto, é um livro bem menos interessante do que esperaria, didáctico mas não propriamente lúdico - algo que a sobriedade pouco cativante da capa reflecte bem.
Uma pena, mais uma vez.















Henriqueta, a tartaruga de Darwin (José Jorge Letria e Afonso Cruz)
Texto Editora
1ª Edição - Fevereiro de 2009
32 páginas

domingo, 1 de março de 2009

Jogos de imaginação


Quando pegamos num livro para o folhear porque à sua volta nada mais há a fazer, não esperamos uma surpresa deste tamanho.
Sim, trata-se de um livro infantil, mas notável.
Aqui constroiem-se jogos de palavras, de sentidos, de intersecções e de figurações.
Se preferirem, são jogos de imaginação, onde as palavras e as imagens puxam pelas possibilidades imensas da mente na sua singularidade e inventividade. Logo depois, unem-se as palavras às imagens e as suas possibilidades crescem e multiplicam-se.
Na imaginação de uma criança, estes pequenos mundos delirantes que se criam (e delirantes é bom, entenda-se!) devem ser pequenas pérolas e se um adulto estiver na disposição de lidar com elas, então encontrará também uma pequena maravilha.
O livro entrou, muito merecidamente, no Plano Nacional de Leitura, para os alunos do 5º ano, mas sinceramente acho que ainda crianças mais novas o deveriam ler. Quanto mais livre a sua imaginação estiver de amarras modernas e formatadas, mais apreciarão os pequenos mistérios de Letras e Letrias!



















Letras e Letrias (José Jorge Letria e André Letria)
Publicações Dom Quixote
1ª Edição - Abril de 2005
60 páginas