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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
sábado, 6 de julho de 2013
O investigador privado. E a sua equipa?
De entre os títulos de James Patterson que a Topseller tem vindo a publicar, Private - Agência Internacional de Investigação parece-me o mais satisfatório.
Parte disso tem a ver com a criação de um detective mais próximo dos modelos clássicos deste género de personagem colocado na liderança de um policial.
Jack Morgan, um detective "à antiga", que quer dizer que ele tem uma conduta construída à medida que as coisas acontecem e nem sempre coerente.
Com uma moral balançando entre o que cada caso representa para ele - justiça ou vingança, um simples pagamento ao fim do mês ou um grupo de pessoas com quem não quer nenhum contacto - ele rege-se segundo as alianças que tem a cada momento, o que o deixa numa relação difícil com todos mas, sobretudo, a polícia como já se foi vendo neste primeiro livro.
A personagem afasta-se ainda mais do comportamento a roçar o super-heróico de Alex Cross, até porque tem à sua volta um séquito de colaboradores que assumem funções igualmente importantes.
A equipa em torno da personagem central permite trazer lógica ao que é uma agência de investigação no tempo actual que já não pode depender de um homem só indo de porta em porta.
Ainda mais do que isso, a equipa permite desmultiplicar os esforços da agência, cobrindo vários casos com várias causas e efeitos distintos.
Claro que, por outro lado, o grupo permite criar uma dinâmica de relações amorosas e dramáticas (influência de Maxine Paetro, creio) que traz de volta o traço novelesco que mencionava a propósito de Confissões de uma Suspeita de Assassínio.
Isto permitirá segurar os leitores mesmo quando a imaginação de Patterson comece a falhar em originalidade, como já se nota aqui quando um dos três casos do livro - o dos assassinos em série, o caso menos lógico na dinâmica de uma agência de investigação - tem vários elementos a que já faltam novidade.
Será necessário que os autores insistam na caracterização de todos os investigadores como já têm feito com Jack Morgan que ainda não é uma personagem vincada e de corpo inteiro mas que já tem vários traços cativantes.
Além da sua moral que o molda ao trabalho, tem também traços pessoais fundados na realidade: o facto de ele ler Sedaris, como se este fosse um porto de abrigo para as suas más decisões através do olhar crítico sobre o núcleo familiar sempre disfuncional.
Devo neste ponto voltar a frisar que o papel dele é igualado por cada um dos seus colaboradores, até porque isso acrescenta à falha maior do livro, que vem da narração.
Já se viu que Patterson trabalha invariavelmente com a narração na 1ª pessoa, mas com a necessidade de ir trocando de personagens (raramente juntas) leva a mudanças para a narração na 3ª pessoa.
Essa variação é, creio que transversalmente, vista com maus olhos e deveria ser evitada, até porque não consegue ser feita com uma continuidade que disfarce o intercalar das vozes entre si.
Infelizmente tenho de terminar com um julgamento da tradução do livro que, na sua maioria, é eficaz, legível e fiel ao que será o original do texto.
No entanto, a fidelidade ao texto original torna-se um problema quando se começam a verificar traduções acríticas dos vocábulos em inglês.
Tratar como "futebol" o desporto americano ("football") ou chamar "caneta USB" Ao dispositivo informático ("USB Pen") são questões de pormenor mais ou menos corrigíveis automaticamente pelos próprios leitores.
Já ter uma expressão absurda como "sem gastar um níquel" em que o elemento químico se substitui à moeda norte-americana ("nickel") ressoa com maior gravidade perante melhores soluções, como a idiomática do nosso país - sem gastar um tostão - ou a conciliadora das unidades monetárias dos dois lados do Atlântico - sem gastar um cêntimo.
Este novo estilo de escrita - veloz e coloquial, mais do que detalhada e trabalhada - em que a Topseller aposta em força no nosso mercado (onde surgiu esporadica e não sequencialmente) vai exigir que os tradutores sejam adaptáveis e sem um estilo fixo (como acontecia com Alex Cross, malgrado a deficiente intervenção do revisor).
Ou, então, que se forme um grupo de tradutores mais jovens, formados em sociedade e coloquialidade americana pelo cinema (sobretudo), e com a desenvoltura para saber, por exemplo, onde não traduzir.

Private - Agência Internacional de Investigação (James Patterson, Maxine Paetro)
TopSeller
1ª edição - Abril de 2013
384 páginas
Etiquetas:
Crítica,
James Patterson,
Maxine Paetro,
Topseller
quarta-feira, 3 de julho de 2013
A família que se desfaz por dentro
Misto de thriller e novela, os segredos da família explorados a pouco e pouco num cenário de fundo que permite continuar a história como uma série que se move tanto para o futuro como para o passado.
Iniciado com um assassínio, convence o leitor a acompanhar a família por aquilo que dela se revela de mais perverso ao ponto de ninguém confiar que os do seu próprio sangue sejam inocentes.
Lançando bases para uma quantidade incontabilizável de mistérios - já ocorridos ou por ocorrer - deixando tudo em suspenso para uma nova investigação de assassinato no livro seguinte (muito embora a partir daí o título-chamariz deixe de fazer sentido).
Por isso é que o ponto de vista inabitual da história é tão precioso para o seu objectivo, permitindo o acompanhamento da investigação a par de uma visão privilegiada do que se passa no seio da família. Mesmo se a exploração da narração na primeira pessoa - que parece ser uma característica omnipresente nas obras de Patterson mas pode ser insuficiente para o próximo volume - leva ao máximo a vontade do leitor em dar crédito ao que se passa no livro.
A exploração de todas as angústias adolescentes num cenário titilante - que inclui romances com desaprovação parental, exigência académica desmesurada e rebeldia tardia - assume um protagonismo tão grande quanto o thriller ele próprio, pois esse dá a escala unitária ao livro e ela dá a escala global da série.
Mas se as angústias adolescentes são as vulgares para qualquer pessoa nessa fase de crescimento, é pelo extremar da forma como ocorrem e das consequências que têm que Patterson e Paetro vão conseguir controlar as ocorrências de crimes dentro de um núcleo tão restrito de personagens.
A adição de um ambiente corporativo, potencialmente de especulação científica, que actua sobre as capacidades físicas, psicológicas e sociais dos jovens ajuda a transpôr a barreira da idade da protagonista. Visto que esse ambiente corporativo é pertença dos adultos da família - que têm papéis ainda mais perversos na vida dos jovens - o lado de crítica aos limites da parentalidade e da sociedade é um factor de maturidade para a história.
Nestas circunstâncias, a protagonista (e irmãos) criam vários antagonistas para si, numa clara disposição das peças num combate entre jovens e adultos.
Todos acabam colocados em causa por esse processo, não havendo classificações óbvias de "justos" e "vilões". O que têm em comum é o facto de nenhum deles ser agradável mas terem qualidades e defeitos que, a cada momento, são motivos de simpatia ou desprezo. Mesmo os pais excessivamente severos têm um momento de humanização.
Isso exige a abertura da caracterização do máximo de personagens com o mínimo de elementos, algo que está bem dominado ao longo do volume.
Menos bem dominados são os tempos da narrativa, que adia a resolução do assassínio até que não possa deixar de ser significativo em termos dramáticos mas, igualmente, simplista dentro do thriller.
Ou o facto do livro ser feito numa escrita directamente dirigida ao público - um calculismo que faz vacilar os leitores - em vez de uma qualquer forma diarística.
Ou, e sobretudo, alguma debilidade para cavalgar a dúvida interna à família - e, até, a dúvida consigo própria - considerando a narrativa pessoal.
Entre aspectos positivos e negativos, são os desejos finais da protagonista em se tornar detective com a incerteza sobre se ela não se revelará violenta, que deixam uma avaliação final de crença maior nas potencialidade da série do que nos seus defeitos.

Confissões de uma Suspeita de Assassínio (James Patterson, Maxine Paetro)
TopSeller
1ª edição - Abril de 2013
288 páginas
Etiquetas:
Crítica,
James Patterson,
Maxine Paetro,
Topseller
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