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domingo, 29 de maio de 2011

Retorno sem memória

Comecei esta segunda parte da trilogia sem me recordar bem da primeira. A minha memória não é a ideal, verdade, mas igualmente fica demonstrado como este é material mais apto para filme, já que tanto é mais simples a memória por segmentos de imagens (culpa da modernidade em que os meios visuais de comunicação são predominantes) como é mais rápido rever um filme de duas horas do que reler quase 600 páginas.
Apesar disto, não foi difícil embrenhar-me n'O Ocaso e recuperar ao longo das páginas algo mais do que o essencial necessário para continuar neste universo.
Continua a ser um argumento trabalhado como literatura e isso é compensador. O seu ritmo é bom, a estruturação narrativa é, declaradamente, de um thriller cinematográfico, mas não temos de suportar descrições minuciosas do que, de outra forma, seria um breve plano visual.
Guillermo del Toro, pelo qual não nutro particular admiração enquanto realizador, sempre teve ideias gráficas muito interessantes. Também aqui os seus conceitos são muito bons e bem traduzidos por via das palavras, sobretudo no que toca aos espigões dos vampiros, aos vermes que ligam o monstro ao conceito de vírus e aos efeitos que o seu "sangue" tem um pouco por toda a parte.
Se há um público que busca nos livros cada vez mais uma versão portável de um filme, com este fica mais bem servido.


O Ocaso (Guillermo del Toro e Chuck Hogan)
Editora Objectiva
1ª edição - Outubro de 2010
406 páginas

sábado, 13 de fevereiro de 2010

De boa raça

Já antes falei de livros que se apresentam logo prontos a serem argumentos de cinema, procurando tanto a leitura como a venda de direitos fácil.
A Estirpe vem revelar, precisamente, o processo inverso, sendo visível a sua origem estrutural e narrativa ligada à concepção escrita de cenas, mas enriquecida pela dedicação literária.
Assim se tem uma história que se lê a um ritmo alucinante mas que tem uma atenção sincera para com as suas interessantes personagens.
Aliando às (reconhecíveis) originais ideias do realizador e à sua construção da história uma minúcia para com as personagens e com os detalhes quem ambientam os eventos que, deduzo, será a contribuição de Chuck Hogan, temos uma perspectiva original para um mito clássico que busca elementos modernos de thrillers para ir construindo, com vagar e dedicação, uma história que aguça a curiosidade e tem interrogações de fundo que são mais do que meros cliffhangers deixados quase ao acaso só para justificar que o leitor tenha de continuar em frente.
A Estirpe é um trabalho que merece o pouco tempo mas definitivamente compulsivo que lhe dedicamos. Agora esperemos pelo resto da trilogia para saber como vai tudo isto acabar.

















A Estirpe (Guillermo del Toro e Chuck Hogan)
Editora Objectiva
1ª edição - Setembro de 2009
560 páginas