quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Pensar o que pensamos

O livro começa e o narrador está à conversa connosco, relatando a história de um jantar que promete ser uma catástrofe reveladora.
Pela forma como Paul, de início, vai contando o que se passou, não é possível imaginar quão maior será a catástrofe e como ela não se expande a partir daquela refeição mas culmina nela, várias vidas implodindo naquelas duras horas à mesa antes de voltarem a expandir-se com brutalidade.
O seu relato começa pelo contexto social que nos coloca em sintonia. As suas observações são pertinentes, merecendo a partilha daquele sorriso concordante de quem já experimentou o mesmo mas nunca teve oportunidade de o dizer.
O local, um restaurante demasiado pedante onde os empregados usam o dedo mindinho para sobrevoar a comida à medida que a descrevem.
A companhia, o seu irmão candidato a primeiro-ministro que não pode conviver sem se fazer ser visto.
A conversa, um caso aparentemente complicado entre os filhos de ambos que cada casal deveria resolver em casa por si próprio.
O monólogo colocou-nos confortáveis, estamos a partilhar o entendimento de Paul, claro que a vontade individual de cada um deve ser respeitada. Isso não é egoísmo nem arrogância, é a preservação da singularidade.
Nesse momento Paul começa a deixar-nos desconfortáveis.
Que tem a ver com o jantar que ele tenha feito chorar uma das suas alunas por culpa de um mau trabalho sobre a II Guerra Mundial?
Será que podemos ainda sorrir em concordância com as opiniões dele sobre a possibilidade de nem todas as vítimas desse conflito terem sido pobres incocentes? Ainda por cima falando dos Judeus?
Nós interlocutores de Paul, que estamos condenados a ouvir sempre pois a duvidosa alternativa é fechar o livro e não saber mais, somos repentinamente obrigados a defrontarmo-nos com as nossas próprias convicções e a distância que vai entre os dois limites essenciais: aquilo que aceitamos nos outros e aquilo que rejeitamos em nós.
Ou, dito de outra forma, a distância entre aquilo que verdadeiramente pensamos e o politicamente correcto que deixamos os outros conhecerem de nós.
Bem, podemos aceitar ainda algumas das suas opiniões, há áreas coincidentes, ele pode ser pouco polido a expressá-las mas nós sabemos a forma correcta de as tratar. Somos, afinal, liberais com sentido de decêndia.
Então mas que história é esta agora de relatos de violência e diagnósticos de problemas psiquiátricos com propensão genética?
Paul é maluco e nós concordamos com ele... Não pode ser, temos de rejeitar desde já todas as suas opiniões e todas as suas decisões acerca do caso que o levou àquele jantar!
E então estamos a rejeitar também algumas das nossas próprias opiniões. Será que não somos assim tão boas pessoas como nos julgávamos?
Por outro lado, Paul parece apenas ter defendido o seu filho e o seu papel como pai. O instinto primário de todo o ser humano normal e até dos animais, defender a cria e salvaguardar a família.
A dúvida arrasta-se com o leitor sobre o grau de confiança que se pode ter em Paul e, a partir daí, em nós próprios.
Este homem só quer um pouco de assentimento para os seus problemas e no processo quase destruiu a noção que temos de nós próprios.
Sobretudo porque, no final, nos conta algo que demonstra um grau de racionalidade - cinismo, mesmo - que costuma ser defendido como uma importante qualidade para vencer no mundo. E, ao mesmo tempo, mostra que aqueles à sua volta que pareciam figuras estóicas e decentes podem ser piores do que ele - que ao menos reconhece o seu problema.
A revelação chocante que ele nos faz, a razão que juntou dois casais para jantar, parece até menos importante do que tudo o resto que a ela levou e que ela despoletou.
O caso de violência que os traz ali pode ser visto à luz das circunstâncias, mas o que dizer de quando a mulher de Paul lhe pede que cometa um outro acto de violência para compôr as suas vidas?
Ela que parecia ser um pouco mais sã requer violência dele e ele diz-lhe com perspicácia que se for ele a ser violento, tal poderá ser imputado à sua condição e não transmitir a mensagem esperada.
A sua lógica traz-nos de novo a um reconhecimento que não aceita que tudo o que Paul opinou possa ser colocado de lado como se de loucura se tratasse.
Paul é pouco fiável, mas não é um maníaco que deva estar numa cela almofadada. Afinal, nós também não devemos.
Paul não será, certamente, uma réplica literária de Herman Koch. Como os leitores, o autor deve concordar e discordar dele.
Deve, também, interrogar-se sobre os limites do politicamente correcto e da censura que essa definição começa a impôr.
Um medo de expressar seja o que for senão num ambiente extremamente controlado onde só estão os familiares ou os amigos - e mesmo assim nada garante que mesmo eles não julguem.
Se Herman Koch queria, com este livro, obrigar-nos a pensar sobre o estado da nossa relação pessoal com a liberdade de expressão, consegue-o, perguntando-nos de forma clara se podemos viver sempre em restrição só para não ofender outros com a verdade - ainda que uma verdade que aceita contraditório e pode ser corrigida.
Nem sempre terá sido tão subtil quanto deveria e literariamente a eficácia - afinal, trata-se de um relato oral - pode custar-lhe alguma delicadeza. Mas o efeito é alcançado com elevada eficácia.


O Jantar (Herman Koch)
Alfaguara
1ª edição - Junho de 2015
304 páginas

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Bem carregado

Nos anos 1950 em Dublin um patologista leva uma vida carregada de desesperança. Não pelo número de cadáveres que vê passar pelo seu departamento mas pelos constrangimentos sociais que voltaram a dominar a cidade.
Para o seu caso particular conta que se tenha ligado a uma das famílias que continua a dominar a estrutura social e a impôr a sua vontade. Até a ele que teve de se casar com a irmã que menos amava.
Quando o seu concunhado tenta fazer passar uma certidão de óbito com uma causa falsa, o protagonista Quirke, vence a sua inacção.
O sentido do seu nome para o que ele vai representar na ordem estabelecida é evidente. Talvez ele tenha encontrado o seu ponto limite para as cedências que faz à família. Ou apenas tenha sentido a sua exigência profissional (e moral) colocada em causa.
Seja que razão for ele inicia a investigação acerca da morte de Christine que se adensa dentro do clã que nunca o aceitou devidamente.
Na Irlanda nenhuma família existe isolada e aquilo em que ele remexe envolve uma ligação maior entre múltiplas famílias poderosas e entre Dublin e Boston.
O que ele vai revelando é uma rede que se move para lá da Lei assente nas boas intenções do Catolicismo.
Homens influentes no seio de uma sociedade secreta que tentam moldar um futuro pleno para a sua herança nos Estados Unidos da América: tráfico de crianças para garantir os homens e mulheres de fé do futuro, certamente através duma lavagem cerebral que é apenas sugerida.
Quirke, como vários detectives do noir americano dessa e da década anterior, envolve-se em algo que é demasiado para um homem sozinho - e para as suas capacidades como detective!
A cobrança é física, ficando ele praticamente sem uso de uma perna. Mas a desistência psicológica nunca é equacinada.
Aqui o policial é temperado com o melodrama, que reaproxima as personagens da trama num novelo emocional que se dirige de novo à família de Quirke.
Quirke move-se também para salvaguardar a vida da sobrinha em relação a quem há um segredo e que, como ele, também se rebela perante a família com a paixão por um homem que não se adequa a ela.
Um segredo poderoso que é, de certa forma, o reflexo pessoal do caso que ele investigava e que parece indicar que Quirke estava desde o início consciente que precisava de se colocar na pista da resolução do seu próprio papel dentro da família, até para o contrariar em definitivo.
Só que esse segredo obriga a toda uma consequência de pequenas revelações que marcam os personagens, sem excepção, como seres falhados que tiverem de se encobrir com a força da tradição familiar.
O livro é inclemente, dilacerando os personagens - e o leitor com elas - à medida que as encaminha de forma destrutiva para a resolução que envolve outra Christine, a filha da mulher que o concunhado queria fazer crer ter morrido de causas negligenciáveis.
Não se pode negar que o apelido Black foi escolhido para denunciar a atmosfera do livro, num trabalho que é de construção meticulosa do enredo mas que não descuida a qualidade da arte que deve estar inerente à montagem da cadência das palavras nas frases e das frases nos parágrafos.
Benjamin Black, ou melhor John Banville, escreve com a mestria de quem não se excede nem sequer numa palavra mas sabe preencher cada frase com a sugestão de atmosfera que insufla o instante da frase e se vai acumulando até carregar de tal forma cada cena que esta emana em torno do leitor e torna o livro inesquecível.


O Segredo de Christine (Benjamin Black)
Edições Asa
1ª edição - Março de 2010
320 páginas

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Melhor humorado

De entre as colaborações de James Patterson com outros escritores, este parece ser aquele em que o parceiro conseguiu contaminar o livro com uma personalidade própria, tornando-se num verdadeiro aliado e não numa escritor completista.
A Amante marca uma variação ao estilo de livros que o autor produz, o que evita que se lhes assemelhe em demasia, pelo que isso deve assinalar-se desde logo.
Há intricada conspiração que começa com um homem a ver o alvo da sua paixão a tombar da janela de casa e termina com encobrimentos no interior da Casa Branca.
Pelo meio há trocas de identidade, o envolvimento das agências governamentais, escândalos sexuais, chantagens políticas e um plano para manobrar os Estados Unidos da América num ressurgimento da divisão mundial em superpotências.
Para que o exagero da trama sempre condensada na individualidade do protagonista se afaste do que é típico de Patterson conta que o livro não seja apenas um entretenimento descomplexado mas que se leve a sua história com uma distanciada ironia.
Afinal, acrescenta-lhe uma dose de comédia do absurdo que vem do cerne do seu protagonista.
Um sujeito que passa tanto tempo a ser um eficaz repórter como a deixar-se absorver pela informação inútil acumulada na sua mente.
O facto dessa característica lhe advir de um duvidoso passado que envolve a passagem por instituições de saúde mental acaba por tornar a leitura  adicionalmente interessante pois não há um heróismo simplista e ridículo.
A moralidade é duvidosa de forma transversal, como se lê desde o início quando o protagonista invade a casa da sua paixão para lá colocar cãmaras escondidas... a pedido dela.
O pessoal e o político entram em rota de colisão do jornalista online e correspondente da Casa Branca que se apresenta sempre ao estilo dos heróis do cinema.
Estilo que faz um bom par com as muitas referências cinematográficas que ele cita - que no início são algo irritantes mas depois se tornam apropriadas visto que não só contribuem para o humor intrínseco ao personagem como reforçam a ideia da construção da trama com a roupagem e o ritmo de um filme.
Afinal a referência mais óbvia é Absolut Power, filme de Clint Eastwood em que ele próprio é um ladrão que testemunha o assasinato da amante do Presidente.
Para finalizar há que dizer que a história acerca de Franklin Delano Roosevelt - seja verdadeira ou apenas um mito - que este livro actualiza e complexifica era boa demais para não ser(vir à) ficção. Também por aí este livro faz sentido com divertida irreverência.


A Amante (James Patterson e David Ellis)
Topseller
1ª edição - Junho de 2014
352 páginas

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

América, personagem

Galveston começa com o estabelecimento de um cenário que se poderá quase considerar um clichê do noir.
Um homem de mão de um mafioso de Nova Orleães coloca-se em fuga depois do que parece ter sido um atentado à sua vida mandatado pelo homem a quem responde.
Consigo leva uma prostituta cuja vida salvou e que não passa de uma jovem rapariga perdida na vida.
As personagens soam como os arquétipos do género e correndo estrada fora parecem destinados a uma variação mais dentro do género.
Isso muda depois de Nic Pizzolatto esboçar o seu cenário, económico e reconhecível.
Afinal, na peugada destes dois vai o medo que eles sentem. Se alguém para além desse sentimento não o sabemos.
Juntos não dão por si atraídos um para o outro, ele sujeito à pulsão para com um corpo jovem, ela sujeita à segurança de um corpo gasto.
Nem sequer vão sozinhos, Roy o homem à procura de redenção e Rocky a rapariga à procura de aceitação.
A irmã dela, Tiffany, junta-se-lhes e é Rocky quem se coloca numa situação periclitante, arrancando-a às garras do seu padastro à força de bala.
O que eles percorrem é a América esquecida, procurando um lugar onde eles próprios possam assim permanecer.
O seu refúgio é um motel em Galveston onde as pessoas não estão de passagem. Lá vive uma comunidade de inadaptados - um adjectivo mais simpático do que o mais instintivo falhados.
Logo a comunidade vê em Tiffany a hipótese de se recuperar, de produzir alguém de bom que possa dali recuperar e retornar à sociedade.
Cuidam dela, apaparicam-na, chegam a levá-la à praia - que está logo ali mas parece tão distante do motel no Texas como um qualquer destino paradisíaco do outro lado do mundo!
Roy adquire confiança de que pode confiar àquela gente as duas raparigas, mesmo se o passado delas vem para atormentar o idílio (à escala do que o cenário pode oferecer).
Todos os passados podem, afinal, ser apagados quando se chega a um novo local. Só a perspectiva do que virá interessa quando se está perdido no coração da América.
Para Roy o que virá é um cancro prestes a matá-lo. E com ele a vontade de deixar um legado que recupere a sua imagem para si próprio: um futuro, não para ele, mas para elas as duas.
Claro que sabemos que não será bem assim, pois as prolepses que nos trazem de 1987 ao presente dizem-nos que Roy permanece vivo e carregando o tormento da sua sobrevivência - não só psicológico mas também físico.
Não sabemos o que terá acontecido mas sabemos que a história daquela fuga terá um desfecho tormentoso. Tal como a tempestade que em 2008 se encaminha para Galveston promete tudo destruir!
Roy não pôde selar a sua vida num momento de redenção antes de uma morte precoce e dolorosa como talvez ache que merece.
Afinal, como leremos, o passado não pode ser reescrito por vontade exclusiva dos que o carregam. Há que garantir que os à sua volta o apoiam e nem todos são como as duas irmãs encatadas pela pureza de Tiffany.
Roy tem de recorrer aos seus talentos antigos enquanto Rocky vai escorregando de novo para o papel a que ele pensava tê-la afastado.
Nesse momento ficamos com a certeza que Nic Pizzolatto escreve a essência da América neste noir. Um banho de sangue para uns para que outros possam ter direito ao seu naco de esperança.
Nem mesmo esse corte brutal com o passado evita que a ilusão do futuro deixe uma dúvida na sua origem.
Roy sabe-o e espera que o passado o reencontre. Teme que seja o passado que reclama a sua vingança, espera que seja o passado que lhe deve um agradecimento.
Pela pena de Nic Pizzolatto toda esta história é voraz e imparável, escrita numa vertigem que emula a velocidade alimentada pela mistura de receios e vícios dos seus personagens.
As personagens são como são e tomam decisões como quem não tem opções nem pode hesitar. As razões ficam para quem tem tempo de parar para pensar. Aqui só podem agir e seguir adiante.
Nic Pizzolatto faz valer o seu estilo e escreve na senda de Raymond Chandler, reconhecendo que é o espírito do conjunto (e do tempo e do lugar) que interessa e que sai como grande personagem do seu livro.


Galveston (Nic Pizzolatto)
Editorial Presença
1ª edição - Fevereiro de 2015
240 páginas

sábado, 1 de agosto de 2015

Não excita

O título nacional deste livro de Karen Dolby engana o leitor. A sua formulação complexa sugere bem mais do que a verdade do seu título original, History's Naughty Bits.
Nesse outro título está toda a verdade sobre esta ser uma compilação de detalhes picantes sobre aqueles que ao longo da História foram sujeitos àquilo que hoje se chamaria atenção mediática.
Isso só se torna evidente a partir do quarto capítulo, todo ele dedicado aos Excessos da Realeza.
De facto é um excesso a atenção que a autora dá à quantidade de amantes tidas pelos reis e, sobretudo, os reis de Inglaterra.
Além da autora ter vistas geograficamente curtas - talvez não esperando que o seu livro se vendesse para lá do país original de publicação - a sua selecção de interesses sexuais nem sempre tem o efeito titilante que procurava.
Claro que é interessante saber que os reis alemães, influenciados pela moda real de Inglaterra e França, tinham de assumir amantes públicas e ora as escolhiam gordas e baixas ou altas e magras mas sempre feias (por terem pouco uso para elas...) ao ponto de serem gozados por isso.
Só que o foco não está nessa forma global de como a sexualidade se expressava nas cortes Europeias, está sempre nos pequenos casos individuais.
Associados a uma escrita sempre dividida numas crónicas breves (de duas páginas no máximo) e com o seu relato que quer ser mais evocativo do que preciso, fica-se com a sensação de estar a ler uma coluna de mexericos dos séculos passados.
Esta sensação não é perpétua, mas como se forma no capítulo que é o âmago do livro, espalha-se pelo que vem depois e, pior, pelo que veio antes.
Antes desse capítulo sobre a realeza, o livro até parece ir de encontro ao seu título português, pondo em evidência os equívocos que são até aos dias de hoje usados para descrever a sexualidade na Grécia Clássica ou de como foi sendo feita, ao longo da História, a assepsia das ruas dedicadas à prostituição, não só na presença das trabalhadoras do sexo mas igualmente nos nomes que indicavam a que se dedicavam as pessoas ali.
Neste último tema já há indícios de uma dedicação à cultura anglófona cuja consciência vai sendo mitigada por informação mais abrangente e que não se fica no domínio da prostituição, vai também ao amor inconcretizado que os cavaleiros expressavam em textos ou actividade física às suas amadas.
Depois do capítulo sobre a realeza há ainda lugar aos fetiches, à homossexualidade (e a sua perseguição) e, finalmente, ao papel da mulher.
São capítulos cada vez mais curtos porque cada vez menos "picantes". A seriedade dos temas, pelo contrário, deveria suscitar um maior fluxo de informação.
A autora não parece ter feito uma pesquisa intensiva, antes correndo atrás dos detalhes mais óbvios, seja da condenação de Oscar Wilde ou da invenção do vibrador para tratar a Histeria Feminina.
Claro que há sempre informação que não se conhecia e detalhes surpreendentes, o que não significa que a leitura alimente o intelecto.
Se era para ser esta coluna de revelações sexuais informativa e não de exploração - ou, pelo menos, exploração detalhada - valia a pena escandalizar o leitor pela súbita consciência de que todas as revoluções sexuais surgiram do esquecimento a que as anteriores foram condenadas.
A verdade é que, na forma como está feito, este livro não excita!


O Sexo ao Longo dos Tempos: Debaixo dos Lençóis da História Universal (Karen Dolby)
Vogais
1ª edição - Outubro de 2014
224 páginas