quarta-feira, 29 de julho de 2015

Mais um que sai da fábrica

Um pai encobre o facto do seu filho adolescente, sem carta e tendo consigo erva ter atropelado uma rapariga.
Na tentativa de refazer a relação com o filho, permitiu-se o descuido de o deixar guiar, que a sua mulher muito censuraria. Ela está prestes a ascender à posição de juíza federal.
Não antes que o FBI lhe vasculhe a vida para se certificar que a história daquela família é imaculada!
Por um bom terço deste livro Lisa Scottoline parece usar o cenário de coincidências exageradas - telenovelescas, que é como quem diz da má ficção - para preparar terreno a uma visão da fractura marital num cenário extremo.
Nesta altura é mais difícil aceitar algumas das decisões do pai do que a probabilidade dos eventos coincidirem no tempo.
Fica-se porque há a expectativa de um cenário em que o adolescente quer confessar o que fez e toma decisões irreflectidas, o pai quer sacrificar a sua consciência para dar um futuro tanto ao filho como à mulher e ela é mantida na ignorância tentando garantir para ela a normalidade que os investigadores devem encontrar.
Um jogo potencialmente curioso que, dentro da mesma casa e numa comunidade pequena, tem tudo para se valer de uma claustrofobia que projecta o que de mais psicopático há nos elementos masculinos de uma família.
Não é por aí que o livro segue, antes começando a acrescentar elementos que o encaminham para algo diferente.
Descobre-se que a rapariga era colega do condutor e logo surge em cena uma chantagem feita ao pai por alguém que tem provas do que aconteceu, com o pai e chantagista a perseguirem-se mutuamente.
Quando a mulher descobre o que aconteceu, uma antiga traição que ela cometeu surge como o segredo que a torna menos digna de censurar o marido.
O que daí resulta é uma fachada, normalidade a cobrir o poço de ódio que se gerou, um casamento que é mantido em nome do filho.
Ganha papel principal a racionalidade da mãe, que entretanto abdica da sua promoção, e planeia sistematicamente os passos a dar para lidar com a chantagem e não perder a liberdade do filho.
Nessa altura o grau de coincidências vai para lá do absurdo que pensávamos já ter atingido e o chantagista aparece morto (talvez tenha sido a mãe...) porque era um voyeur da adolescente atropelada e tinha provas de que ela mantinha um caso com um homem mais velho.
Em pleno modo thriller, o livro continua adiante sem voltar a abrandar para reflectir numa devida construção, trata apenas de atirar elementos novos sobre os que já lá estão.
O desenlace é implausível ao jeito de cada vez mais thrillers, com um grande confronto onde tudo é explicado e cada interveniente sofre ainda mais um pouco.
Já a resolução que vem depois disso é pior de tão preguiçosa. A autora apresenta uma nova situação surgida sem que nenhuma pista para ela fosse apresentada até aí.
Um final feliz para a família que leva uma reguada, só para não sobreviver sem consequências, mas tem direito a reconstruir a sua relação e olhar o futuro com ânimo.
O final simplesmente afirma que nada do que se leu sobre as personagens interessou, acontecesse o que acontecesse iriam estar unidos, vivendo com menos posses mas desfrutando mais da companhia mútua.
Claro que, como a autora não se esforçou na caracterização dos elementos da família, pouca empatia se criara antes disso e a desilusão é nenhuma.
Cada um deles pode reduzir-se à grande decisão que toma, o que os torna em elementos funcionais do livro e não em personagens.
Elementos pouco funcionais, note-se, como a própria escrita que é indistinta de qualquer outra dos que escrevem este género de ficção.
Os diálogos ora estão no limite do aceitável ora se tornam ridículos e as suas descrições podem ser quase integralmente ignoradas sem que se perca atmosfera ou psicologia.
Espanta-me saber que Lisa Scottoline ganhou um Edgar Award, tão mau é o seu domínio do mistério.
Sendo um prémio de vinte anos antes deste livro só posso concluir que a autora se foi enredando num fabrico regular mas não metódico de bestsellers.
Desconfio que com esta escolha, talvez a pensar que pode capitalizar no estilo de sucesso de Gillian Flyn em mostrar o lado tenebroso de todos, Lisa Scottoline teve o seu primeiro e último livro traduzido para Língua Portuguesa.


Não Contes Nada (Lisa Scottoline)
Bertrand Editora
1ª edição - Julho de 2015
344 páginas

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Finalizar em grande

Depois de um começo que me suscitava dúvidas seguiu-se uma melhoria que me avivou o interesse para o final da trilogia.
A previsão que fiz a propósito deste livro revelou-se apenas metade ajuízada. Este tomo é, de facto, o mais interessante da trilogia mas, pelo contrário, Anders de la Motte está já bem perto de ser um escritor com domínio do seu labor.
A trilogia veio sempre em crescendo de ideias em vez de "espectáculo", o contrário do que é comum e precisamente o que se quer de uma boa saga.
Da dissipação de limites (morais) para o individualismo que o anonimato online permite chega-se agora à promiscuidade entre interesses privados e manipulação pelo Estado da informação dos cidadãos.
Um tema para o qual os alertas são cada vez maiores e que o autor não só integra na trama como o transforma num motivo global que se integra no percurso individual de Henrik Petterson.
Obviamente que um homem contra o "mundo" é uma imagem ainda exagerada no seu heroísmo, sobretudo porque não se reduz a uma acção de denúncia mas continua a depender de uma acção directa.
Acção cada vez menos significativa na trama, reduzida a um único grande evento. E essa é uma das situações em que uma adquirida sabedoria do escritor se faz notar.
O autor deu a HP parceiros na sua luta, fechando o círculo, pois são um grupo de indivíduos intentados em vingar o abuso que sofreram às mãos do Mestre do Jogo.
A sua discussão sobre o plano de acção leva-os a um ponto em que terão de ser dignos de um episódio de Mission: Impossible. E aí a ironia de HP desvia o grupo e o livro desse exagero.
Com menos cenas de acção, o livro dá-nos algo muito mais interessante, dúvida e tensão continuadas.
A paranóica crescente de HP transmite-se ao leitor pela forma como Anders de la Motte escreve. Ainda variando o ponto de vista entre HP e a irmã, é neste livro que essa variação funciona melhor pois as vozes estão cada vez mais definidas e o frenesim dele é contrariado pelo maior controlo dela.
É mesmo na última reviravolta da saga que a variação entre os dois pontos de vista tem o seu melhor desempenho, transmitindo uma dúvida que deixa o leitor em suspenso para conhecer o final do arco narrativo de Henrik Petterson.
Ele, claramente, evoluiu ao longo dos livros e a sua história pessoal recebeu o mesmo cuidado que os detalhes da trama sobre a aproximação de uma versão do big brother. Em parte foi necessário terminar a trilogia para concluir que o personagem era tão importante para manter o interesse como a inteligência dos meandros destes thrillers.
Meandros que o autor leva ao limite, fazendo malabarismo com muitas hipóteses e personagens mas conseguindo concluir o espectáculo sem deixar cair nenhuma. Une-as com lógica e eficácia e responde a todas as questões sem fechar por completo a porta a algumas sugestões que oferecem ao leitor algo para o acompanhar para lá do final.
Não se trata de deixar espaço aberto a uma sequela mais, apenas não negar ao leitor o prazer da reflexão.
Bolha é a devida recompensa para quem acompanhou toda esta história, tenha ou não aderido com ânimo desde a primeira folha. Quem chegou aqui não fica desapontado.


Bolha (Anders de la Motte)
Bertrand Editora
1ª edição - Abril de 2015
424 páginas

domingo, 26 de julho de 2015

Para acompanhar o que veio antes

Creio não se poder dar melhor elogio a um livro que não marca a primeira aparição do seu personagem principal do que este: deixou-me ansioso para ler todos os que o antecederam (e os que se seguirão, já agora).
Rui Araújo tem esse talento, de criar um personagem culto e arguto que dá vontade de acompanhar sistematicamente.
Um detective ao jeito daqueles que marcam a memória dos policiais que se têm por favoritos, ou seja, daqueles que transformam um crime num relato da sua própria intervenção.
O inspector Miguel Neves é desses, dos que marcam pelo que trazem, mesmo da sua vida privada, para a construção de uma história em que ele - e os personagens que o rodeiam - importa. Não se limita a ser um narrador que faz avançar a trama de um ponto de resolução ao seguinte.
Há que dizer que o processo de resolução é bastante detalhado, trabalhado como aquilo que, crê-se, é o método policial em vigor neste país.
Afinal estamos no campo da ficção que recorre a uma história verídica como base de trabalho que permita tornar a leitura engajante e, no final, deixar algo à consciência.
Nessa combinação de realismo e ficção, Rui Araújo usa as transcrições de interrogatórios ou as circulares de serviço de forma credível mas também muito escorreita.
Esses atributos são essenciais para um livro breve mas que, além do fio policial explora a personalidade do inspector, dando-lhe espaço para exibir a sua cultura - uma agradável extensão do autor, por certo, que já abrra o livro com o poema Farewell de Alexander Search/Fernando Pessoa como epígrafe - a par das suas relações pessoais, que confundem os meandros da sua mente investigativa.
Miguel Neves está casado com Tânea Sanz, jornalista de investigação que aponta o seu faro na direcção dos crimes de colarinho branco ligados a várias posições de Estado.
As ameaças que surgem podem ter origem no caso de qualquer um deles e o inspector terá de ser interventivo em ambas as descobertas para afastar o perigo que os ronda.
Esse perigo é um agradável tempero do livro, que nunca afasta por completo o seu protagonista dele, aliás deixando-o ir na sua direcção.
Não temos um herói em Miguel Neves, antes um homem cujas decisões deixam algo a desejar tanto no campo do planeamento das acções como da avaliação moral das mesmas.
Com isso o livro termina com um cliffhanger de verdadeira incerteza sobre se teremos um próximo volume dedicado ao inspector. Embora a racionalidade diga que assim será, é a esperança que o afirma com mais força.
A tragédia não parece ser inédita para o inspector. Percebe-se que no seu passado houve já a perda de outra mulher amada.
Isto revela não só a coragem do autor, mas também a inteligência com que torna conhecido o passado do seu protagonista para os novos leitores, integrando-o na narrativa para garantir contexto suficiente, sem escrever uma introdução que torne redundante a leitura dos seus outros livros.
Tudo isto combinado leva ao desejo que expressei logo de início, de acompanhar as investigações de Miguel Neves que já foram ficando para trás. Prometem e muito!


A Tentação do Abismo - Sanz Blues (Rui Araújo)
Gradiva
1ª edição - Fevereiro de 2015
196 páginas

quinta-feira, 23 de julho de 2015

O eterno desconhecido

O Animé e o Manga são motivo de fascínio para quase todos, mesmo que se resuma às obras dos estúdios Ghibli.
Por isso esta partida para o Japão de Peter Carey em nome da comunhão com o seu filho dos códigos dessas expressões artísticas só pode ser uma escolha de leitura imediata.
Decisão reforçada, no caso pessoal, pelo facto de ser este um escritor pelo qual nutria um interesse já longínquo. E bastou um capítulo para reconhecer o talento que sempre vi ser-lhe gabado.
Carey é um ocidental inteligente no Japão, com ideias próprias acerca do que vê nos filmes e nas séries Japonesas.
O seu espírito vai disposto à descoberta mas já contaminado por uma vontade de reflectir.
O embate é imediato, descobrindo ele que em parte a sua visão das ligações do subtexto de Blood - O Último Vampiro (a boa tradução devia ter-se esmerado em procurar os títulos nacionais das obras) não passa de um erro de conhecimento da Língua Japonesa.
Depois virão as discussões sobre Mobile Suit Gundam em que Peter Carey projecta muitas visões sobre a guerra que lhe vão sendo sempre rebatidas.
Em vez de um grande significado de memória pós-Guerra a série foi feita para vender robôs de brinquedo.
Em vez de representar o isolamento das crianças em tempo de guerra, quando estas pilotam os seus robôs estão no ventre materno, protegidos mas também sensíveis ao impacto exterior.
Torna-se evidente o enorme problema de comunicação entre povos. Quase impossível perscrutar a cultura Japonesa, também porque eles se recusam a desenvolver as suas ideias perante o autor - respostas lacónicas ou simples negações das ideias que Carey já traz consigo.
Ao rever O Meu Vizinho Totoro com alguém que lho possa comentar, o resultado só reforça tal percepção. A sessão termina com apenas um terço do filme visto e com, adivinha-se, muito mais comentários do que aqueles relatados.
O que descobrimos é que só uma vivência profunda do Japão nos permite entender tudo o que se mostra nas imagens e que está escondido apenas para quem não tem os códigos culturais de leitura.
No entanto o livro deixa também a certeza que é justo que se coloque nestas obras a nossa deslocada experiência. Afinal Hayao Miyazaki diz ao autor que o mais importante é a imaginação e se esta desenvolver para lá dos significados que o realizador imputa, tal não deverá estar errado.
Peter Carey não se limita a Animé e o Manga. Visita e escreve sobre Kabuki, forja de espadas ou a dificuldade em definir otaku.
Isto torna a experiência mais rica e reforça a ideia de que o Japão continuará, de forma transversal, uma incógnita para forasteiros, por mais que o estudemos.

Em contraponto e complemento, o livro de Porfírio Silva é bastante mais detalhado na descrição de conceitos e eventos Japoneses.
Um guia que vai da religião à política ou que se preocupa com os ínfinos detalhes de como se prepara uma refeição transportável.
Trata-se de um guia encaminhador e facilitador por quem teve tempo de começar a viver o Japão e não apenas de percorrê-lo.
A parti de um ponto o autor já tem até a percepção dos detalhes sociais - transportes ou sanitários públicos - e interroga-se acerca das regras (escritas ou não) lá assumidas e que fazem pouco sentido a um ocidental na sua discrepância interna (de sensibilidades) quase irreconciliável.
Isto vai de encontro à descoberta feita por Peter Carey e, por muito que Porfírio Silva experimente e nos transmita as vivências locais, estas estão limitadas.
Um teatro Kabuki tem legendagem inglesa para que os restantes não sejam invadidos por estrangeiros.
Partes dos rituais religiosos têm folhetos em diversas línguas para que as restantes componentes sejam preservadas.
Parece evidente que nesta abertura controlada a visitantes os Japoneses resgauardam a sua existência e identidade.
Creio que a introdução aqui conseguida é já causa de um olhar enriquecido que dificilmente teríamos de outra forma. Infelizmente as fotogradias que acompanham o texto não estão tratadas com a qualidade necessária - do tamanho de reprodução ao enquadramente.
As referências à robótica - parte do trabalho do autor - são interessantíssimas e deixam a vontade de leituras (técnicas) adicionais pois o tema já tem sido escrutinado dentro e fora da ficção e tem com Porfírio Silva um importante grau de aprofundamento.
O facto da abordagem à robótica no Japão ser tão singular deverá servir como mais uma porta de entrada para o mistério que é o Japão.
Mesmo se, como disseram a Peter Carey, metade do conhecimento é pior do que a incompreensão total, não se pode deixar de tentar saber mais sobre o Japão.


O Japão é um Lugar Estranho (Peter Carey)
Tinta da China
Sem Indicação da edição - Setembro de 2010
176 páginas


Caderno de Tóquio (Porfírio Silva)
Esfera do Caos
1ª edição - Abril de 2015
224 páginas

terça-feira, 21 de julho de 2015

Realmente não havia pressa

Depois de muitos anos colocado na prateleira, foi a adaptação ao cinema que me fez pegar em A Humilhação.
Não houve razão concreta para este atraso e, como ficou provado na pressa de ler o livro antes de ver o filme, foi muito pouco o tempo que gastei nesta leitura.
Já a poderia ter feito há muito, mas que o tenha feito agora foi útil, pois verifiquei que o filme de Barry Levinson soube melhor tratar os temas que verdadeiramente interessam neste livro.
O filme ajudou a perceber o falhanço do livro e esse auxiliar foi importante contra um Philip Roth que continua a escrever com descrição intensa num registo livre de adornos - e, com isso, seduz o leitor mesmo em livros menores.
Gosta-se do pressuposto, de que um homem perde a sua razão de ser quando a idade o atinge e lhe rouba a expressão dramática de que era mestre.
Gosta-se da conclusão, previsível que possa ser, de que no palco o homem pode recuperar o domínio sobre a sua existência ainda que não sobre a arte a que se dedicava.
O problema está no que leva de um ponto ao outro, uma espécie de ascensão e queda que o leva da desistência a uma nova tentativa e que, depreende-se, repete e resume - concentrada no tempo - a carreira do personagem central, Simon Axler.
Mais importante teria sido conhecer essa carreira, pois quase qualquer razão teria acabado por servir para o fazer regressar aos palcos depois de afirmar que se desligara deles para sempre por já não ter a Arte em si.
Philip Roth prefere antes confundir a falência do talento com a falência da masculinidade e assim torna Simon num velho homem com uma jovem amante.
Uma amante que era lésbica até aí, que ainda é perseguida pela sua anterior amante, que se parece transformar na mais ousada heterossexual à face da Terra...
Simon começa por transformá-la de maria rapaz em mulher fatal. Depois quebra-se-lhe o coração quando ela parte.
Tal como o seu talento falhara em palco, agora a sua virilidade falha em privado.
Se o talento era o maior da sua geração, que dizer do seu pénis, que preenchia Pegeen como nenhum dildo o fizera?
Tal como na arte teatral em que Simon Axler se afirmou, assim Roth faz do seu livro uma peça em três actos.
Não há subtileza nenhuma nesta constatação, como não houve na intenção do autor. Afinal a terceira parte do livro intitiula-se O Último Acto!
Se os seus personagens estavam aqui a interpretar papéis, todos eles foram escritos com base em lugares-comuns de quem só conhece as pessoas de uma leitura excessiva dos seus derivados ficcionais.
O caricato é que nesses papéis Roth até reafirma, de forma acidental, a perda da masculinidade do protagonista.
É ele que tenta transformar a amante em algo que ela não era e que depois é surpreendido e arrasado pela sua partida quando ela percebe valer mais do que o seu amante - que ela escolheu por ser mais velho e, daí, um "macho" pouco ameaçador para a sua transição.
Não é este o preconceito que se costuma associar às mulheres, de que tentam transformar os homens à imagem do que querem apenas para ficarem submissas deles?
Talvez fosse para encontrar aí ironia, como no facto de ser na concretização da grande fantasia masculina, um ménage à trois com duas mulheres, que Pegeen regressa à sua anterior orientação sexual.
Parecem antes velhas piadas recuperadas para constatar o ridículo do que Philip Roth fez neste livro, não fosse o leitor deixar passar algum dos muitos absurdos da peça central do romance.
Que tenha chamado A Transformação a esse segundo acto inteiramente sobre a vida sexual leva-nos a perguntar se não estava a descrever aquilo que fez com a história, abdicando por completo do tema com que a iniciou para escrever sobre algo mais do seu agrado - o que torna difícil ligar o início e o fim do livro, que fariam todo o sentido juntos.
Não vou afirmar que sejam as fantasias de um velho reaccionário que vive (e se expressa) através das suas personagens, mas creio que serão muitos a lê-las como tal.
Pensando que foi este o texto que esteve tantos anos na prateleira à espera, não vejo que tenha perdido muito por não o ler mais cedo.
Agora fico a perguntar-me se devo ler Nemesis desde já ou se devo deixá-lo ficar na prateleira mais tempo e não ser desapontado tão cedo.


A Humilhação (Philip Roth)
Publicações Dom Quixote
2ª edição - Abril de 2011
128 páginas