terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Não há paciência

Há muito tempo atrás, ainda este blogue era imberbe, confessei que concedia a cada livro trinta páginas para provar que merecia ser lido - ou, pelo menos, para mostrar que haveria "Vida" nas que se seguiriam - antes de o rejeitar por completo.
No entanto tenho cada vez menos paciência para os livros que não conseguem sequer esconder a sua mediocridade. As trinta páginas estão agora reduzidas a uma dúzia e suspeito que este tipo de julgamentos comece a ser feito com um par de páginas apenas.
Já têm sido vários os livros que nem chego a abordar neste espaço porque a falta de vontade continua de os ler para deles escrever.
No caso deste livro de Teresa Lopes Vieira, pelo contrário, escrever sobre ele deve ser feito como levantamento de algumas hipóteses acerca d(est)a literatura.
O que se passa com O Albatroz é similar ao que se passava com Irmã, com as referências a marcas a virem tentar dar um sinal de ligação do mundo do livro ao mundo do leitor.
É também diferente, porque se nesse outro livro as marcas serviam como referências de descrição, aqui são mesmo matéria de actualidade com que os protagonistas interagem.
Ao fim de algumas páginas, Jesus vai ao YouTube (e não Youtube como a autora escreveu, mas não se perca tempo com isso) ouvir uns relaxing piano tunes (assim mesmo, em itálico, embora YouTube não surja da mesma forma).
Na página seguinte já abriu o site do Sapo Empregos só por descargo de consciência pois já não procura lá nada.
Finalmente (até onde fui capaz de ler, claro) confessa a estranheza de ver a sua irmã seminua na capa das revistas expostas nas bancas do Pingo Doce.
Preocupa, desde logo, que esta achega à actualidade no livro coloque em causa o seu entendimento futuro quando todas estas marcas não forem sequer uma memória.
No entanto a pergunta que tem de ser feita perante esta pequena recolha (e mais situações do género haveriam para incluir) é o porquê destas escolhas em particular.
Será que ser o Sapo Empregos o site escolhido em vez do Net Empregos ou do Expresso Emprego tem algum significado que contribui para o entendimento da personagem?
Será que Jesus ir ao Pingo Doce e não ao Jumbo ou à mercearia da sua rua nos diz das escolhas pessoais que este desempregado fez ao longo da sua vida?
Sem ser pela frase "O pequeno anfíbio verde na parte superior do ecrã propunha-lhe um mundo de oportunidades, nenhuma delas aliciante." não se encontram usos específicos das escolhas da autora.
A ideia que ela deixa - não importa que seja a verdade exacta - é a de que só sabe escrever com a imaginação que vai até onde a sua vida alcança; de que é a própria escritora que vai ao Pingo Doce e corre os olhos pelas capas das revistas sobre vidas alheias e que fica desapontada com as ofertas de trabalho disponíveis no site de emprego do Sapo.
Isso afecta todo o livro, dizendo dele que nasce apenas da experiência que a escritora é capaz de reproduzir por palavras e, por isso, não é nada além de um registo mais ou menos preciso - afinal, espera-se que haja, pelo menos, um toque de criação envolvido - da realidade.
Sobre essa criação levanta-se a dúvida quando se atenta à linguagem usada, sempre resvalando para o calão actual.
Essa espécie de realismo perseguido pela autora parece colocar de parte um dos fenómenos essenciais da Literatura, a de retrabalhar a Língua mesmo que seja para reforçar a percepção de que o que está escrito nasceu da coloquialidade.
Sintomático disso é o fragmento final de texto lido antes da recusa do livro: "mas já se estava a cagar.".
Sendo, pelo menos, a segunda vez que a expressão era usada nas páginas que ficaram para trás, fica como uma sentença definitiva para este leitor em particular no momento em que havia cerca de trezentas páginas para diante.


O Albatroz (Teresa Lopes Vieira)
Bertrand Editora
1ª edição - Julho de 2013
304 páginas

domingo, 29 de dezembro de 2013

Livros em série

Há mais justiça - e lógica, estou em crer - em falar de livros como este a partir de uma ideia de entretenimento que se associa a uma larga maioria de séries televisivas.
O Golpe torna-o mais óbvio dado que a sua premissa se assemelha em muito a dois exemplos ainda activos, White Collar (sobretudo este) e The Blacklist.
Também ele é um episódio de uma série - intitulada Fox and O'Hare - que funciona durante o tempo que demora, se afasta da mente pouco depois de terminar e voltar a vir à tona pela noção de continuidade que vem com o episódio seguinte.
Este é, portanto, o livro para quem gosta de ter direito às suas séries e tem apreço pela leitura - ou gosta da portabilidade de uma história com acção que só os efeitos especiais costumam permitir criar e exotismo que só os cenários feitos com bastante dinheiro permitem concretizar.
Obviamente que com a palavra escrita tudo isso é mais simples de conseguir e este livro leva isso ao limite, com lançamentos de pára-quedas em ilhas gregas onde as mulheres não estão autorizadas a entrar ou viagens de iate interrompidas por piratas por entre os milhares de ilhas indonésias.
As qualidades que o livro precisava de ter cumprem-se, tendo o ritmo que não o deixa chegar a ser aborrecido em momento algum e tendo a duração certa para que não se lhe exija algo mais do que a diversão que proporciona.
Os autores são económicos na construção do cenário que terá de permitir que dure em vários outros, porque confiam que terão páginas suficientes para moldar melhor os personagens.
Obrigatório neste livro era "agarrar" os leitores, tal como um episódio-piloto tem de conseguir. A abordagem explosiva vem primeiro e, se a audiência for em número suficiente, espera-se que dê lugar (mas não por completo...) à substância que faz os leitores continuarem a ler.
Nesse aspecto julgo que é essencial a cooperação de Lee Goldberg perante o cenário montado para uma relação amorosa entre o criminoso e a agente por ele responsável.
O estilo flamboyant - para dizer o mínimo - com que a escritora trata as suas heroínas quando chegam às suas cenas românticas, costuma levar a exageros perfeitamente ridículo que humilham as personagens.
Por isso a conclusão é que foi Lee Goldberg a amenizar esse tipo de exploração reduzindo a uma única cena de "beijo na eminência da morte" (não há quem ainda acredite nessa tensão da possibilidade dos protagonistas morrerem, mas finge-se que sim).
Mesmo quando a protagonista é sujeita a condições que não lhe agradam - exibir-se num fato de banho reduzido - parece que é Lee Goldberg a devolver-lhe uma certa independência com uma dose de testosterona - passando-lhe um lança-granadas para as mãos.
Suponho que o nome de Lee Goldberg - como a capa deixa patente - estará sempre secundarizado contra o d'a autora de policiais mais vendida em todo o mundo. Não sei se tal será justo, mas acredito que a pequena visibilidade que, apesar de tudo, a situação lhe proporciona lhe seja benéfica.
Não tinha qualquer intenção de pegar neste livro depois da mais recente leitura de um livro de Janet Evanovich, mas um inesperado envio por parte da editora acabou por ditar que fizesse o exacto oposto.
Graças a Lee Goldberg posso dizer que fiquei satisfeito com o par de horas esquecidas à conta deste livro. Não ficarei à espera do próximo volume, mas quando sair terei um pequeno alerta no fundo da memória para que lhe dê uma vista de olhos.
Tal como o novo episódio de uma série que só de semana a semana volta a entrar na minha memória, mas a que vou assistindo relaxado. Apenas o intervalo entre eles é maior aqui.


O Golpe (Janet Evanovich e Lee Goldberg)
Topseller
1ª edição - Outubro de 2013
320 páginas

sábado, 28 de dezembro de 2013

O todo é menor que a soma das partes

São duas as ideias de livro que Markus Zusak tenta fazer funcionar em conjunto, mas que se enfraquecem uma à outra.
De um lado está a possibilidade de os livros serem a salvação do espírito durante os tempos mais terríveis da História que colocam em causa o conceito de Humanidade.
Do outro está a Morte como funcionária de recolha de corpos com visão priveligiada para as vidas dos vivos.
A primeira é aquela ideia que é mais sólida, preenchida de pequenos episódios que reforçam o corpo da ideia no romance. A utilização conjunta da outra ideia prejudica-a, enfraquecendo a atenção isolada que ela merecia ter.
Essa outra ideia surge como um truque de realismo mágico para chamar atenção para o livro com uma "dose extra" de extravagância criativa.
O uso da Ceifadora como uma funcionária ora contente com a função, ora sobrecarregada pela Guerra - e atrocidades cometidas para além dela - e que possa revelar um lado humano com algo como um sentimentalismo invejoso por algumas vidas que preferia ter no lugar da sua surge como uma ideia cheia de potencial. A ter de ser explorado como mote único, tornando a Morte numa personagem e não numa narradora conveniente para ser omnisciente e opinativa.
A sensação definitiva acerca do papel da narração por parte de uma Morte sentimentalmente amenizada é a de vir tornar num conceito inócuo as mortes de milhões de pessoas às mãos dos Nazis, permitindo uma leitura suave para um público jovem.
Se há algo que a ideia principal do livro não necessita é de ser transformada numa história de sensibilidade juvenil.
A força da história d'a rapariga que roubava livros é o apelo que tem para todos os leitores, não importando quão longa a relação afectiva que criaram com os livros e a leitura.
A relação de Liesel com os livros não poderia ser iniciada de maneira mais estranha - com um manual para coveiros - nem ter uma continuação menos ortodoxa - um livro ilustrado, de meras treze páginas, pintado por cima das páginas de outro - de tal maneira que os roubos que faz são o elemento mais normal da sua relação.
Rouba o primeiro livro a quem lhe enterra o irmão morto por um comboio. Rouba o segundo a uma fogueira desatendida. Mesmo aqueles que lhe são dados foram roubados à dureza humana ou à austeridade da vida.
Bastaria isso para falar de forma intensa sobre as vidas no tempo da maior barbárie humana.
Afinal, os livros foram os primeiros inimigos que o Partido Nazi tentou purificar, queimando os que não se enquadravam com a sua visão do mundo.
Os livros não são uma metáfora para o que aconteceria aos judeus, são um seu paralelo menos cruel mas não menos dramático.
Que os livros surjam como objecto de salvação de vidas é uma combinação natural que deveria estar mais explorada, ao invés da história se desmultiplicar - muito por culpa da escolha da narradora - em personagens e eventos que favorecem o charme do livro mas prejudicam a fortaleza narrativa.
Os episódios relacionados com os livros e a leitura demonstram bem isso por parecerem demasiado raros num livro de mais de quatrocentas páginas.
A salvação de jornais velhos demonstra que as palavras nunca perdem a força para um espírito a necessitar de consolo e para um corpo a necessitar de saber do mundo depois de tanto tempo fechado numa cave.
A utilização de um exemplar de Mein Kampf para um judeu se esconder à vista de todos fala do poder transformador de um livro e de como este escuda do mundo quem o segura.
A criação de um novo livro - sobre amizade - por cima das páginas desse mesmo manifesto faz prova de que a imaginação ainda é capaz de recorrer à criação para vencer qualquer adversidade.
Esta é a ideia que sobressai do livro ainda que esteja enfraquecida pela adição mal ponderada da restante.


A Rapariga que Roubava Livros (Markus Zusak)
Editorial Presença
1ª edição - Fevereiro de 2008
468 páginas

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Consistente imaginção

A caricatura é o tributo que a mediocridade oferece à genialidade.
Oscar Wilde
(em Oscar Wilde e os Crimes à Luz das Velas)


Pode muito bem ser que Oscar Wilde tivesse razão, ele que foi tão assolado pela praga da caricatura que se julgava mordaz.
Creio que ele teria algo mais positivo a dizer sobre uma representação que, em sentido inverso, carrega as características mais interessantes de alguém.
Esse é o caso dos livros de Gyles Brandreth em que Oscar Wilde é um detective de imenso poder de dedução mas ainda é mais o Oscar Wilde espirituoso que o torna um ícone eterno.
Antes mesmo dos seus dotes dedutivos, gostamos de acompanhar este Oscar Wilde-personagem pelos seus ditos acontecendo em situações correntes.
A aplicação apropriada de cada um deles a um momento de diálogo ou de avaliação da realidade, o que as torna ainda mais apreciáveis do que já são quando lidas sem contexto envolvente.
Até é pena que Oscar Wilde as tenha dito de facto, pois se as boutades provocatórias tivessem sido inventadas por Gyles Brandreth o seu génio criador seria ainda maior.
Ainda assim nada se pode apontar à forma como o autor integra Wilde e os seus pares - Arthur Conan Doyle e Bram Stoker - em tramas policiais rebuscadas e fascinantes, mas plausíveis na vida que Wilde levava.
Tal como o dissera acerca do primeiro livro desta saga que lera, Oscar Wilde continua a ser a origem e o fim dos mistérios em que se envolve.
Ele atrai esse género de situações à sua vida pública pelo tipo de pessoas que consegue agregar à volta da sua vida privada.
O que é maravilhoso nos casos que toma para resolver é que eles gravitam sempre em torno das suas presenças e decisões.
As investigações pertencem-lhe e é inevitável que ele tome controlo delas e dos restantes parceiros que parecem seus subordinados: Watsons mais ou menos servis ou opinativos.
Até porque, tal como eu dissera antes, este Oscar Wilde é um detective superior a Sherlock Holmes. Mas a sua existência como o absoluto dândi diletante não lhe permite ser tão eficaz quanto a criação do seu amigo, pelo que acaba por ser a inspiração para Mycroft Holmes.
Uma possibilidade divertidíssima e naturalíssima na perspectiva do que é a combinação de realidade e criação feita por Brandreth.
Se todas essas características dos livros os tornam altamente aprazíveis, é na forma como Gyles Brandreth se apropria dos estilos dos escritores que convoca como inspiração e personagens para os emular num resultado final que é seu, que os livros atingem um ponto de excelência.
Tal como fizera com Robert Louis Stevenson, faz agora com Bram Stoker e fará sempre com Arthur Conan Doyle.
A sua forma de escrever é a síntese da remissão da memória para esses escritores e o seu tempo e do lançamento da imaginação para as possibilidade que pouco arriscariam ver hoje.
O trabalho de Gyles Brandreth está entre o melhor que temos tido o privilégio de ler (dentro do género, se for estritamente necessário evitar discussões sobre o grau literário a que eles pertencem).
A cada história, o autor tem sido consistente na sua reinvenção da forma de a contar, o que o torna inconsistente tal como Oscar Wilde haveria de gostar e nós, leitores, temos o prazer de já o fazer.


A consistência, como bem sabe, é o último refúgio de todos aqueles que não têm imaginação.
Oscar Wilde
(em Oscar Wilde e os Crimes do Vampiro)


Oscar Wilde e os Crimes à Luz das Velas (Gyles Brandreth)
Publicações Europa-América
Sem indicação da edição - Junho de 2008
272 páginas


Oscar Wilde e os Crimes do Vampiro (Gyles Brandreth)
Publicações Europa-América
Sem indicação da edição - Março de 2011
336 páginas

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

A defesa de si mesmo

Um crime envolvendo crianças, como vítimas e perpetradores, torna-se num exame profundo à comunidade a quem perteciam.
Os jovens são sempre a ponta de esperança e inocência que a comunidade tem para protegere. Que possam matar ou ser mortos coloca em causa a essência da comunidade e as noções com que esta faz frente ao seu mundo - que julga terminar ao fundo do quarteirão.
Não importa que "as crianças possam ser muito cruéis", as pessoas confiam sempre na nobreza inocente da geração dos seus filhos para a qual trabalharam de forma a proporcionar-lhe um ambiente recluso mas dentro do qual há a ilusão de liberdade.
A vida é um vaguear seguro porque acontece dentro de limites, desde que estes sejam mantidos a uma distância que os torne invisíveis.
O anseio dessas comunidades em tornarem-se condomínios amplos onde os muros mantém os perigos do lado de fora fá-las esquecer que são uma reprodução miniatural do mundo e que o perigo estará sempre - mesmo se apenas em potencial - lá instalado desde o momento da sua criação.
Esse perigo intrínseco, que a comunidade adulta tentou esquecer, volta a assombrá-la assim que aqueles a quem chamava "os nossos jovens" estão postos em causa.
Esse é mesmo o caso central do narrador, pai do acusado, que testemunha em tribunal a história complexa que viveu e em que o seu papel é, igualmente, o de acusado pela opinião pública que precisa de um bode expiatório da culpa geral.
Ele é, também, filho e neto de assassinos e o procurador-geral que ficou com o caso encaminhando-o numa direcção que não era a do seu filho. Portanto, culpado por genética e cúmplice por profissionalismo.
Está no tribunal a testemunhar tanto a favor do seu filho como de si mesmo.
Defende-se do falhanço como pai que deixou passar em claro as tendências violentas do seu filho.
Defende-se da inevitabilidade de ceder ao gene guerreiro que lhe corre nas veias e transmitiu ao acusado.
Defende-se do crime de se ter aproveitado de um posto de confiança que até aí cumprira irrepreensivelmente.
Resta saber, com o decorrer da história, se isso é possível quando cada rua, cada cidade e cada estado americano - e os próprios Estados Unidos da América - (se não o eram) se transformam numa comunidade unida contra aqueles que a atacam.
Este homem, Andy Barber, que relata a sua história no tribunal nunca estará perante doze dos seus pares, mas perante doze dos seus múltiplos acusadores.
A sua batalha não é judicial, é de pertença pessoal no seio daquilo que se pode considerar a forma moderna de conselhos tribais.
Andy Barber tem de argumentar contra opiniões já estabelecidas, mudar a visão que fazem de si e dos seus, contra as conversas tidas em surdina onde a sua situação passou a ser entendimento comum.
Mas o seu relato tem duas camadas. A de composição de uma imagem controlada para os restantes membros da sua comunidade e a de alívio pessoal da consciência com um relato mais completo.
Ainda que Andy se defenda, até pela sua profissão não consegue deixar de ter dúvidas no momento de uma análise mais fria da situação fazendo uso de todos os elementos que conhece.
Esse relato, pelo qual William Landay torna o leitor cúmplice imediato da consciência do personagem que criou, não pretende esclarecer sobre culpa(bilidade) e inocência.
Pretende obrigar o leitor a vaguear nas lamas da "dúvida razoável" até que faça um julgamento quando é o único par possível para aquele personagem: o único que com ele partilha todo o conhecimento.
O leitor não ficará livre de duvidar, tal como ninguém o deixa de fazer até ao final do livro, momento para o qual o autor reserva uma última e essencial revelação que vem alterar em definitivo - e para melhor efeito no leitor - o que até aí se tinha lido.
Com o benefício de não precisar de recorrer a qualquer mirabolante reviravolta, bastando ter sabido os momentos certos para cada informação.
Dando um lugar de interveniente essencial ao leitor, o autor conseguiu aguçar tanto o interesse como a ponderação de cada leitor.
Afinal, sob a capa de um thriller judicial, William Landay escreveu um relato muito inteligente de angústias individuais e colectiva.
Um relato dos limites da sordidez humana e da fidelidade familiar, simultâneo e deixando que esses limites se tornem difusos uns contra os outros.


Em Defesa de Jacob (William Landay)
A Esfera dos Livros
1ª edição - Julho de 2013
388 páginas